Rotina de criança autista em casa: relato real de mãe

Relato real da rotina diária com uma criança autista em casa: sono, alimentação, escola, banho, desafios e o que realmente funciona na prática para uma mãe atípica.

Iara de Oliveira

5/3/20263 min read

black blue and yellow textile
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Minha filha tem 6 anos e, desde que nasceu, troca o dia pela noite. Se eu deixar, ela dorme até duas da tarde. Ajustar o sono é uma luta diária. Nossa rotina começa sempre com muito carinho: beijinhos, “bom dia”, janelas abertas e muita paciência até que ela desperte de verdade.

A alimentação também é um desafio. Por isso, começamos o dia com uma mamadeira bem reforçada, porque sei que ao longo do dia ela não aceita alimentos nutritivos com facilidade.

Por que a rotina é tão importante para a criança autista

Percebi, na prática, que sem rotina:

  • as crises aumentam,

  • a ansiedade fica maior,

  • o sono piora,

  • e o dia vira um caos.

A rotina aqui em casa não é perfeita, mas é o que mantém nosso dia possível.

Rotina da manhã

Quando acorda, a primeira coisa que ela pede é o celular. Às vezes eu dou, às vezes não. Sei que não é o ideal, mas a rotina é exaustiva e, em alguns momentos, cedo para evitar conflitos logo cedo.

Levo ela para tomar sol na varanda e balançar na rede, algo que ela ama. Coloco músicas de desenhos que ela gosta, cantamos juntas, desenhamos, brincamos de massinha. Tenho que participar e estimular para ela deixar o celular por algo mais interessante.

Ela começou a desenhar nas paredes copiando os desenhos do celular. Em vez de brigar, eu deixei. Foi assim que ela aprendeu a segurar o lápis — depois de muitas tentativas frustradas com métodos “certos”. Hoje ela tem vários cadernos cheios de desenhos.

A ida para a escola

Arrumar para a escola é difícil. Ela não gosta de se separar de mim. Chora muito. Meu coração fica partido, mas deixo mesmo assim.

Busco ela por volta das 16h para facilitar a adaptação. Quando chego, ela está feliz — sinal de que não foi tão ruim quanto parecia.

A tarde: conexão e brincadeiras

Muitas vezes passamos na loja que ela gosta ou no parquinho. Em casa, fazemos um piquenique na varanda ou na sala para o café da tarde.

Brincamos de esconder, pega-pega e de imitar personagens de desenhos. Entrar no mundo dela é o que mais funciona.

A grande dificuldade: banho, cabelo e roupas

O banho é uma batalha diária. Muitas vezes ela resiste tanto que preciso limpar com lenço, creme e álcool. O cabelo é outra resistência enorme.

Ela só aceita usar três roupas específicas, então preciso lavar sempre para o dia seguinte.

Alimentação limitada

Ela só aceita alguns alimentos específicos: batata frita, miojo, hambúrguer (só a carne), linguiça, pão de queijo, pastel de queijo, pipoca. Eu tento variar dentro do que ela aceita.

A hora de dormir (ou tentar)

Apago as luzes e vamos para a cama. Ela só fica deitada com o celular. Dou a medicação para estimular o sono, mas muitas vezes ela só dorme depois da 1h da manhã. Em algumas noites, passa a madrugada acordada.

O que mais funciona aqui em casa

  • Não brigar por paredes riscadas

  • Entrar nas brincadeiras dela

  • Respeitar os limites sensoriais

  • Adaptar a rotina à realidade, não ao ideal

O que não funciona para nós

  • Forçar métodos “certos” que não respeitam o tempo dela

  • Tirar tudo que ela gosta de forma brusca

  • Comparar com outras crianças

Para outras mães que estão perdidas com a rotina

A rotina não precisa ser perfeita. Precisa ser possível. Precisa funcionar para sua casa, para sua criança e para sua sanidade.

Aqui eu compartilho não só vitórias, mas as dificuldades reais do dia a dia, porque sei o quanto isso ajuda outras mães — e me ajuda também.

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